Um dos grandes baratos da evolução do ser humano é a sua excelente capacidade de comunicação e exposição de idéias. Os jovens adoram discutir sobre aborto, legalização enquanto os mais velhos preferem economia e globalização. Até mesmo o tripé futebol-política-religião, outrora considerado terreno perigoso, já é abordado com naturalidade.
Na maioria dos tópicos sugeridos, os debatedores (leia-se pessoas ébrias em uma mesa apertada) já possuem uma opinião previamente formada que dificilmente será alterada seja por convicção ou até mesmo, orgulho. Mesmo assim, o confronto de idéias é quase sempre um exercício saudável.
É difícil explicar porque as pessoas defendem veementemente a sua forma de pensar, mas com certeza a resposta passa pelo espirito de competição e pela vontade de superar o seu rival.
Nos últimos debates dos quais participei, ou como debatedor ou como espectador, notei um detalhe que me incomodou bastante. Senti que a opinião formada pela maioria (difundida pela Veja, pelos jornais e pela televisão) foi atacada brutalmente. Não é nenhum crime possuir uma idéia que diverge da maioria, porém é seu dever entender a razão. Infelizmente, alguns falsos brilhantes compreendem que acompanhar a maioria é sinal de ignorância, de pouco pensamento, de fazer parte de uma massa acéfala enquanto enfrentá-la denota inteligência, boa informação e pertencimento a elite cultural. Para manter o senso de cool e a intelectual physique deve se escolher um tema que tenha uma maioria avassaladora (quanto maior for a maioria, melhor) e sabiamente OPTAR pela idéia contrária. Uma grande bobagem.
Se uma idéia virou senso comum, ela tem no mínimo, o valor de representar algo para uma enormidade e por isso deve ser estudada com carinho. Enquanto isso, ir contra o senso comum é uma alternativa plausível e democrática, porém exige-se horas de estudo, de retórica e de pensamento. ao invés da adoção de uma postura arrogante e crítica em relação ao “pensamento de todos”.



